Ultimamente, os jornais e a TV têm reportado frequentes variações nos valores dos combustíveis fornecidos pela Petrobras às distribuidoras brasileiras. De fato, os consumidores têm visto mais aumentos do que quedas — alguns deles anunciados poucos dias após o anterior.

Isso se dá devido à nova política de preços que a petroleira adotou, com o argumento de não mais arcar com os prejuízos frente ao comércio internacional de petróleo. No entanto, você sabe como funciona essa nova forma de precificar os combustíveis, o porquê de ela ter sido adotada e como ela prejudica os pequenos distribuidores?

Se você não souber responder a algum desses questionamentos, acompanhe este artigo que fizemos especialmente para deixar você por dentro do assunto. Caso você esteja bem informado a respeito, aproveite para compartilhar essas informações em suas redes sociais e multiplicar conhecimento.

O funcionamento dessa nova política de preços

A nova política de preços da Petrobras em vigor para dois de seus produtos oriundos do petróleo (o diesel e a gasolina), busca tornar os preços da companhia mais competitivos no mercado internacional. E isso está sendo feito, segundo informado pela própria empresa, com base em três pontos.

O Preço de Paridade de Importação (PPI)

Essa proposta de precificação analisa o valor do produto no mercado internacional por meio do monitoramento do preço praticado pelos seus principais concorrentes. Para calcular o PPI, a empresa afirma considerar diversos custos, como o transporte interno, as taxas portuárias e os fretes de navios.

A margem e o risco

Além do PPI, a Petrobras passou a acrescentar uma margem de lucro, considerando o risco da atividade de importação de combustível. Entre esses riscos alegados pela empresa, são citados: a variação cambial; os atrasos; a variação da qualidade dos produtos; e as mudanças do próprio valor do barril do petróleo.

Os impostos

Por fim, ao preço do diesel e da gasolina, são aplicados os tributos definidos pelo governo brasileiro. No caso dos combustíveis, incidem o ICMS, que varia conforme o estado; o CIDE, o PIS e COFINS, que são impostos federais. Aqui, é preciso ponderar que a Petrobras não tem autonomia sobre a definição dessas taxas. Para lembrar, conforme Decreto 9.101, de 20/07/2017:

  • tributos sobre a gasolina: ICMS de 25% a 34%; CIDE de R$ 0,10 por litro; e PIS/COFINS de R$ 0,7925 por litro.
  • tributos sobre o diesel: ICMS de 12% a 25%; CIDE de R$ 0,05 por litro; e PIS/COFINS de R$ 0,4615 por litro.

O que mudou de antes para agora

Anteriormente, os reajustes eram definidos pela Diretoria Executiva da Petrobras com base na análise dos preços internacionais no médio e longo prazo. Por isso, os reajustes não tinham uma periodicidade definida e dependiam, principalmente, das variações drásticas e da permanência das tendências de queda ou aumento do preço do petróleo.

Agora, a política de preços fica a cargo de um Grupo Executivo de Mercado e Preços (GEMP), formado pelo presidente da empresa e diretores das áreas de Refino e Gás Natural, Financeiro e Relação com Investidores. Com esse novo posicionamento, a companhia passa a assumir uma postura ainda mais capitalista — focada em seu lucro.

Esse novo formato de decisão já estava aprovado desde outubro de 2016. O que está causando essas constantes variações no preço dos combustíveis é a periodicidade para os ajustes. Inicialmente, os reajustes seriam definidos e aplicados a cada 15 dias. Agora, eles podem ser realizados até mesmo diariamente, conforme o comportamento do mercado internacional.

Para ilustrar essa nova realidade, no período de julho a setembro de 2017, os preços desses dois combustíveis tiveram mais de 40 variações, sejam de acréscimo ou decréscimo. Em alguns casos, essas alterações de preços chegam até a se anularem — justamente o que abre espaço para que as distribuidoras maiores maximizem seus lucros e prejudiquem as menores.

 

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Como isso afeta as distribuidoras menores

Quando uma empresa do porte da Petrobras assume uma política de preços visando paridade com o mercado internacional, ela corre o risco de prejudicar o seu mercado interno. Mesmo que esse posicionamento tenha sido tomado para recuperar seu market share, refreando o crescimento da importação de combustível (que foi de 1,2 milhão de metros cúbicos de diesel em junho/2017 e 290 mil m³ em maio/2017).

Isso é possível porque as grandes distribuidoras, além de maior abrangência, maximizaram seus lucros importando combustível mais barato quando a Petrobras mantinha os seus preços acima do praticado no mercado internacional. Agora, com as variações dos preços, essas gigantes podem administrar os seus estoques importados, tendo condições melhores de vencer as disputas comerciais no mercado interno.

Além disso, diversos proprietários de postos de combustíveis têm denunciado que as grandes distribuidoras diminuem ou não repassam as variações — principalmente as reduções — dos preços do diesel e da gasolina para as bombas. Ou seja, elas ampliam ainda mais a sua margem de lucro.

Nesse cenário, as distribuidoras menores sofrem mais para se manterem competitivas diante de suas grandes concorrentes por causa da baixa margem de lucro que conseguem e, também, pela dificuldade de gerirem seus fluxos de caixa.

Essas variações frequentes da política de preços dos combustíveis nas refinarias da Petrobras facilitam o descontrole do fluxo de caixa das empresas e dificultam o planejamento financeiro dos postos. Eles precisam ter atenção redobrada no controle sobre o quanto pagaram em determinado litro de diesel ou gasolina e pelo quanto estão vendendo aquele combustível.

O próprio Sindicombustíveis-PR, conforme noticiado pelo jornal Gazeta do Povo, ponderou que

(…) as alterações até diárias, como estão ocorrendo, prejudicam o planejamento e confundem a todos, empresários e consumidores. (…) em geral as tendências de baixa são repassadas pelas distribuidoras aos postos de forma lenta, em menor escala ou simplesmente não são repassadas. Por outro lado, quando o viés é de alta, os acréscimos são rapidamente aplicados pelas empresas de distribuição e repassados aos postos.

Por todos esses aspectos, os proprietários de postos podem acabar reféns das grandes distribuidoras de combustíveis, caso a nova política de preços da Petrobras enfraqueça ainda mais as distribuidoras menores e as leve ao fechamento.

Para não ter seu posto prejudicado pelas estratégias das grandes empresas e os planos de marketing das distribuidoras, o proprietário precisa ficar atento para as boas práticas de fidelização dos clientes e consolidar seu negócio.

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