Passamos há pouco pela paralisação dos caminhoneiros nas estradas e de fornecimento inconstante de combustíveis. E uma das lições que tiramos foi a de que é preciso redobrar os cuidados com o ciclo de caixa. Muitos postos estão com as operações totalmente paralisadas, sem combustíveis nos tanques e a demanda não atendida vai crescendo frente ao desespero dos consumidores.

A pressão é muito grande por parte de todos, consumidores, poderes públicos, serviços essenciais e autoridades. Mas como gestores de um mercado cada vez mais competitivo e com a insegurança associada aos tempos que virão, os revendedores precisam ter muita cautela.

É preciso muito cuidado inclusive ao se posicionar a respeito das manifestações, a revenda é um dos elos fracos da corrente, pois não tem influência direta na maior parte do preço e não pode ser entendido como um incentivador do movimento.

Vamos pensar um pouco no ciclo de caixa do posto e, consequentemente, no financiamento da necessidade de capital de giro. Veja bem, em situações como a que estamos vivendo, o mercado pode abrir algumas oportunidades de aquisição de combustíveis, mas necessariamente impõe, ao mesmo tempo, algumas condições restritivas para a operação.

O ciclo de caixa representa a diferença do tempo em que adquirimos os combustíveis até recebermos efetivamente todo o lote. Em condições de estoque zerado, alta demanda e necessidades especiais para o transporte, como a necessidade de escoltas, faz todo o sentido para o posto tentar adquirir volumes maiores, o que pode acarretar na descapitalização da empresa ou mesmo redução drástica do seu caixa.

Deve-se considerar que a recuperação desse caixa, decorrente da venda e recebimento não ocorre da noite para o dia, existe o prazo de recebimento do crediário ou dos cartões de crédito e débito que acabam por prolongar o ciclo de caixa da revenda.

Em momentos como este que presenciamos com a paralisação dos caminhoneiros, precisamos considerar ainda possíveis custos adicionais em função do aumento da demanda que precisa administrar filas intermináveis no posto, funcionários adicionais, plantões, segurança, gestão de filas e outras dificuldades da operação.

A operação é afetada até pelas condições de venda, não é raro vermos postos que decidem ou são obrigados via autoridades a estipular litros ou valores máximos de abastecimentos. Mas como isso reflete no posto? Bom, se temos que arcar com grandes volumes e custos de operação, precisamos pensar no ciclo de caixa. Não se engane, as contas não deixam de chegar durante a crise, pelo contrário, elas tendem a aumentar!

Aqui o planejamento do ciclo de caixa se mostra como importante: não saia comprando só por comprar, tenha um planejamento da recuperação de seu capital. É preciso ter muita cautela com a gestão financeira do negócio nesse momento, pois as incertezas futuras são grandes.

Vamos aos fatos: se o ciclo de caixa for insatisfatório ou insuficiente, você vai precisar financiar seu capital de giro e nessa hora irá se deparar com custos adicionais para a operação, como taxas de antecipação dos cartões ou mesmo financiamentos oriundos de instituições financeiras.

Então amigo revendedor, muita calma e muito planejamento, momentos difíceis exigem ainda mais que sejamos bons gestores. Mãos à obra e olho no ciclo de caixa, afinal a receita diminui durante a greve, mas os custos não!

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