A noticia de que a Petrobras irá aumentar amanhã, 22 de maio, os preços do diesel e da gasolina nas refinarias ocorre no mesmo dia em que caminhoneiros iniciam um movimento de paralisação motivados pelo mesmo efeito. São dias e evidências do caos que se materializa para todos os brasileiros sem distinção. Todos perdemos com isso, preços altos na bomba e greve dos caminhoneiros é uma combinação que pode gerar muitos prejuízos ao país.

Enquanto a Petrobras justifica a necessidade de reajuste baseada na competitividade da empresa frente a cenários econômicos internacionais, muitos acreditam que somente uma situação de greve geral entre os caminhoneiros pode sensibilizar nossos governantes e estimular uma inversão dos preços dos nossos combustíveis.

Em pouco tempo essa paralisação pode gerar o desabastecimento dos postos e potencializar uma resposta rápida do governo e da Petrobras. Temos ainda as possibilidades sazonais de anos eleitorais, quando é comum aparecerem políticos dispostos a se colocar ao lado da população, pensando em se tornarem referências de medidas tributárias benéficas visando os e próximos mandatos.

O transporte rodoviário é o motor do Brasil, e é com grande passividade que todos assistimos à derrocada dos transportadores autônomos … que arma eles têm a não ser cruzar os braços? Como conseguem ser ouvidos? Como um autônomo consegue renegociar o frete sendo que o diesel subiu R$0,49 em 45 dias? Muitos postos estão abrindo seus estacionamentos sem cobrar dos caminhoneiros enquanto estão em greve, uma bela iniciativa de parceria nesta dor.

Não podemos e nem devemos nos acostumar com qualquer tipo de crise, estamos tentando sobreviver num período nebuloso mesmo não vendo a luz no fim do túnel. Os revendedores compartilham o sofrimento dos caminhoneiros. Vejo cada vez mais grandes redes de postos com muita tradição saindo do mercado, muitas vezes pelas portas dos fundos, e não tem como ser diferente, afinal nosso capital de giro está cada dia mais nas mãos dos banqueiros do que nas nossas. A estrutura já não suporta tamanhos custos, sequer conseguimos gerir tantas exigências ambientais e trabalhistas totalmente incoerentes com a realidade do revendedor brasileiro.

O revendedor começa a liquidar o seu negócio, mas a que preço? Quem quer assumir esse abacaxi? E os contratos das distribuidoras? Quem quer esta bomba? A população não tem dinheiro para abastecer e ainda é contra os revendedores, nos considera um dos culpados pelos preços altos, compartilham em redes sociais criando rótulos ao setor de forma injusta, de que a prática de cartel ajudou a criar isso.

Falar sobre carga tributária e ineficiência da Petrobras nos faz refletir sobre como sofremos para pagar a conta, além de aturar impostos altíssimos, gestores incompetentes e mal intencionados .

Em dias de caos, não podemos ser intolerantes, não existem donos da verdade nesta história, sequer é o objetivo identificar herois ou bandidos, mas um fato é que esta política de preços praticada pelo Petrobras foi mal implantada, imposta de cima para baixo, sem ouvir e discutir com os vários agentes do setor, ou seja, nasceu para dar errado.

Por ora, é importante que a Petrobras como a mais autêntica das empresas brasileiras, ouça seu povo, entenda a dor daqueles que trabalham e produzem, não estou falando apenas do revendedor, mas de toda a sociedade.

Em dias de caos, nos resta a esperança, mesmo que por vezes esta se mostre distante, turva e improvável.

Um único passo para aumentar as vendas do seu posto!