Nos negócios há certas escolhas difíceis de tomar. São situações em que a variedade e a complexidade de prós e contras geram grandes incertezas sobre o resultado que se vai alcançar. Um exemplo no caso de postos de combustíveis é definir se haverá funcionamento 24 horas. Trata-se ou não de uma boa escolha?

A resposta até poderia ser meio óbvia, vivemos em uma sociedade que funciona dia e noite. Os grandes centros, em especial, são cidades que nunca dormem: há sempre pessoas nas ruas, a qualquer hora, dispostas a consumir os mais variados produtos e serviços. Então, sim, um posto que funcionasse 24 horas dificilmente deixaria de ter uma procura que justificasse essa opção.

Por outro lado, o Brasil tem duas características que dificultam imensamente esse tipo de operação e que podem trazer resultados muito ruins e, até mesmo, trágicos: a excessiva regulamentação trabalhista e a insegurança urbana.

Neste texto, vamos explicar cada uma dessas variáveis e ajudar a avaliar a conveniência de se ter um posto de combustível que funcione 24 horas por dia.

Mundo em movimento

O crescimento da economia e as evoluções tecnológicas transformaram as cidades em centros pulsantes, onde os mais diversos tipos de pessoas vivem, produzem e consomem, 24 horas por dia.

Em um contexto como esse é mais do que natural que empresas de quase todos os ramos de negócio tenham suas versões 24 horas. Supermercados, padarias, farmácias e até laboratórios de exames clínicos passaram a ter estabelecimentos abertos noite e dia.

Mas em nenhum setor essa prática parece tão natural e disseminada como nos postos de combustíveis das grandes cidades. Em São Paulo, por exemplo, em 2014, 40% dos postos eram 24 horas. Atualmente, esse número caiu por motivos que vamos explicar mais à frente.

Então, a ideia de ter um posto de combustível que abra 24 horas por dia não só faz sentido, como, muito provavelmente, representa o modelo ideal desse tipo de negócio, especialmente nas regiões mais movimentadas dos grandes centros.

Ventos de crise

O problema é que nem sempre os modelos resistem à dura realidade. Em um país como o Brasil, extremamente regulado em sua legislação trabalhista, ter um negócio que funciona durante a noite toda, inclusive nos fins de semana, representa uma considerável alta nos custos em função dos adicionais que precisam ser pagos. E não há negociação entre patrão e funcionários que possa alterar isso.

Essa pressão de custos, claro, não faz bem para o negócio. Além de resultar em aumento de preços, acaba deixando a empresa mais exposta a eventuais crises econômicas, pois não há margem para cortes e negociações.

Foi o que aconteceu em muitas cidades brasileiras durante a crise econômica que se abateu sobre o país desde 2015. Com o aumento do desemprego e a recessão, o consumo diminuiu e as empresas passaram a ter dificuldades ainda maiores para equilibrar a equação financeira.

Com isso, muitas delas se ressentiram da ausência de clientes, recuaram e começaram a fechar mais cedo novamente. Como resultado, menos empregos, menor quantidade de impostos recolhidos e menos serviços disponíveis aos clientes, o que só aprofunda a crise econômica.

Guia completo de criação de metas em postos.

Posto de combustível ameaçado pela violência

Apesar da dificuldade do quadro econômico, ele, nem de longe, é a principal ameaça para os postos de combustível e outros empreendimentos que se propõem a funcionar 24 horas. O medo mesmo é da violência.

O receio de que funcionários e clientes sejam vítimas de bandidos é a principal preocupação dos empresários que desistem de funcionar durante a noite toda. Afinal, existem maneiras de se prevenir para perder a menor quantia em dinheiro possível durante um assalto, como o uso de cofres e o incentivo ao pagamento com cartão de crédito e débito, mas o risco de que a integridade física ou mesmo a vida de pessoas seja ameaçada não é algo com que se possa conviver.

Nesse sentido, fechar cedo é diminuir as ameaças potenciais a seus clientes e funcionários, ainda que isso signifique perder oportunidades de negócio. A situação é tão complicada que até mesmo bares, que, por vocação, são atividades que deveriam se estender noite adentro, estão fechando mais cedo para fugir da violência.

Opções para quem quer tentar

Diante dessa situação, fica claro que ter seu posto funcionando 24 horas por dia é desejável, mas nem sempre aconselhável. A violência disseminada na sociedade e os resultados quase inexistentes da prevenção da criminalidade apontam que essa não é uma escolha.

No entanto, é preciso dizer que há quem encontre soluções para manter os postos abertos dia e noite. É o caso dos estabelecimentos em grandes avenidas, com intenso movimento o dia inteiro. Essa rotatividade e o fluxo constante de clientes ajudam a manter os assaltantes afastados.

Uma opção é associar os postos com outros empreendimentos que funcionem dia e noite, criando uma espécie de “polo 24 horas”, no qual o movimento dos diversos tipos de comércio ajuda a trazer uma sensação geral de segurança.

Há outros estabelecimentos que apostam na vigilância privada como forma de proteção. O uso de seguranças particulares é uma modalidade que cresce; hoje, há 70% empresas do tipo a mais do que há uma década.

Essas são medidas que, claro, não resolvem o problema, mas ajudam a diminuir muito a sua ocorrência. Isso, no entanto, não muda o fato de que postos de combustível e outros estabelecimentos que funcionam dia e noite são visados e podem ser alvo de violência, mesmo com as devidas precauções.

Por exemplo, revendedores de Itabira, MG, se uniram com a PM local e tomaram medidas para coibir a ação dos infratores. Uma das medidas tomada foi a produção de um aviso solicitando que motociclistas desembarquem de suas motos e retirem o capacete antes de serem atendidos. E a prática tem dado certo.

Por isso, antes de tomar a decisão de funcionar por 24 horas, o gestor do posto precisa analisar cuidadosamente o perfil da região onde se encontra e o histórico de violência e assaltos na área, assim como as opções para diminuir a exposição de funcionários e clientes.

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